quarta-feira, 26 de setembro de 2012


Parecia de fato um quadrado. Bem pequeno.
Uma janela ao centro de um dos lados.
Uma porta. Nova ou velha não importava muito. Apenas o fato de estar fechada.
Janelas travadas, apenas pequenos espaços para que uma pequena brisa pudesse entrar.
Sem luz, um escuro sem maiores cômodos. Ela sentou naquilo que considerava o centro daquele local.
Ficou no que mais parecia uma posição de meditação, de fato era algo que pretendia fazer naquele momento, uma meditação diferente.
Fechou os olhos tentando o impossível, ouvir o silêncio.
Ficou certo tempo neste silêncio. Era profundo. Profundo a ponto de conseguir ouvir seus próprios pensamentos.
Maginou uma cena perfeita. Não dos dois. Apenas dele.
Ele estava em um campo. Um verde bonito, muito forte, um céu tão claro que não dava para saber o que era branco e o que era azul. O vento era leve. O cheiro das flores que ali estavam era misturado com seu perfume, um cheiro que trazia memórias quase que infantis.
O contraponto daquela cena em sua cabeça com a escuridão do local que se encontrava, trazia uma estranha sensação de calma, um bem estar diferente do normal.
Ao voltar para a cena, ele estava com um sorriso bobo, um sorriso de quem trazia muito com ele, de quem trazia uma mensagem que não precisava ser dita para ser compreendida.
 Uma mensagem que seu coração pôde sentir naquele mesmo instante.
Ela tentava criar uma conexão que a distância não permitia.
Sem perceber um leve sorriso começava a surgir em seu rosto, seus músculos foram relaxando um pouco mais e suas mãos já se encostavam ao chão, como se tentassem sentir um pouco daquele campo.
Quando tocava no chão, era como se pudesse sentir a vibração de lá, era uma tentativa de tocar nele. De sentir qualquer parte de seu corpo. De poder tocar a sua mão. Mas o principal motivo era tentar fazer com que ele sentisse seu amor.
Com muito esforço ela sentiu. Ela saberia dizer descrever o que foi ou como aconteceu. Mas era como se um frio tomasse conta de seu corpo. Mas um frio que não incomodava, de certa forma confortava.
Essa sensação durou segundos e como num susto ela abriu os olhos, retirou suas mãos do chão e se desfez daquela posição.
Não importava para qual lado daquele local ela conseguisse olhar, ela via a mesma coisa. Um vazio.
Mas o cheiro, aquele cheiro, estava ali. Como era possível? Era a única pergunta que vinha a sua mente. Nenhuma resposta.
Ela tentou voltar para aquele lugar, para aquela cena, para ele. Em vão.
Só conseguia relembrar imagens já vistas, não conseguia sentir de novo. Tudo já tinha passado. Mas ela sentiu.
Ela sabia que por mínimos segundos ela sentiu seu “mundo” em suas mãos

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